quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Tiros aos lado

Apesar dos ataques do(s) autor(es) do blogue Antão Vaz ao GAIME - esses sim, inevitavelmente contribuíram para que se gerasse um tal burburinho à volta desse gabinete, que por seu turno forneceram matéria para aproveitamento político e partidário - creio que o GAIME seguirá. Em que moldes o fará? Esta é a questão principal.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Que fazer com as ofensas dirigidas por "uns" comentadores a "outros" comentadores?

Obviamente que as ofensas pessoais serão retiradas oportunamente. Pessoas com pouco espaço por dentro usam palavras vãs e pequenas.
Ficam apenas mais umas horas, a vergonha de quem as proferiu deve ser exposta.

O que "OBAMA" não sabe...

"Sr. Obama", não existe.
Duplamente não existe. Não existe porque não tem identidade própria, e não existe em segundo lugar porque não capta nada do que se passa à sua volta, provavelmente - é só uma hipótese - porque o seu facciosismo não lhe permite uma outra abertura. Vai fazendo o discurso duma forma de política-partidária antiquada, mas será a sua maneira...
Não sei o que é que as pessoas por detrás do "OBAMA" sabem sobre o processo de que falam, mas estão a milhas do que se passou quanto ao projecto piloto do mediador cigano. Não fazem a mínima ideia do que foi essa batalha, até ao último minuto. Pois é, era preciso estar lá. Não entrarei em pormenores, precisamente porque não me interessa o esgrimir político e partidário. Se estão informados - duvido - pensem.

Tenho toda a atenção virada para o que é o sonho do Sr. Manuel Narra quanto aos vidigueirenses ciganos. Desde o primeiro dia em que falei com o Sr. Narra que acreditei partilharmos os mesmos objectivos sobre o que seria o processo de inserção social destas pessoas. Mas a ambivalência não se coaduna com estratégias delineadas. Nem as hesitações. Muito menos o empolar de situações mínimas (que só atrasam o processo) rima com um plano bem traçado.
Ainda a ideia de que eu - ou alguém do GAIME - apoiou ou incentivou de algum modo aquilo a que "OBAMA" insiste a chamar de revolta... este assunto merece "zero" de atenção. Cada um sabe o que tem dentro de si.
Quanto a ser a minha forma de actuar que criou uma situação de fragilidade do presidente, penso que "OBAMA" deve afastar-se do que não lhe diz respeito a nível pessoal. É a desculpa mais esfarrapada que já ouvi para desculpar insuficiências. Ainda por cima não acredito nada nessa suposta "fragilidade" do Sr. Manuel Narra, que avançará se e quando quiser e certamente não precisará de um anónimo "OBAMA" a fazer-lhe festinhas no EGO.

A minha saída do GAIME, depois da "reviravolta" do fim de Julho, era inevitável. Um episódio foi empolado e transformado num grave incidente, para depois ser explorado até à exaustão por "OBAMAS" e companhia. A campanha começou mais cedo, esqueceram-se é que eu não faço parte dessa dança.
As pessoas que ficam - as que diz terem ficado numa situação delicada por minha causa - são adultas, que parvoíce "acriançar" quem fica, como se fossem meninos e meninas sem força e que não soubessem fazer por si. "OBAMA", isso nem parece seu! Certamente, os vidigueirenses não comprarão uma conversa como essa.

Um gabinete como o GAIME avança com os seus estatutos claramente definidos, com o Sr. Manuel Narra, que o criou, pronto a dar-lhe força a todo o momento e a lutar dentro desse gabinete com as pessoas que o formam. É nisso que acredito.

O caminho faz-se caminhando...

Confusões ideológicas...

Algumas das pessoas que comentam aqui no meu blogue utilizando retaliações ideológicas/políticas - os que não se excederam com ofensas, claro! Porque a esses irei na devida altura se tiver algum tempo livre - não terão lido o que escrevi oportunamente no blogue "Antãovaz". Aqui fica em jeito de citação:
«Como é óbvio - ou deveria ser - as retaliações políticas e partidárias têm ou deveriam ter como alvo quem está envolvido nesse campo, que não é o meu caso. A instrumentalização política da minha passagem como antropólogo pela Vidigueira é o limite.
Eu estou fora dessa dança.»
A minha luta fica bem fora da "politicazinha" de trazer por casa. As políticas da identidade são um campo de forças e de trabalho interessante, já as ofensas ideológicas - provenham elas de comunistas ou de socialistas - são fruto de mentes "pequenas", de gente tacanha. Pessoas encostadas a outras - presidentes de câmara, vereadores, etc. - são "trepadores sociais". Obviamente nunca os comentarei directamente, aqui ou noutro lugar qualquer.
Reduzir a vida pessoal - ou até mesmo social - à politiquice corriqueira do "tu lambes as botas a este eu lambo ao outro" mostra apenas os horizontes curtos que alguns comentadores de blogues vêem ao acordar e quando se deitam.

A minha vida é muito mais que a minha passagem pelo Gabinete da Câmara Municipal da Vidigueira. Enquanto aí estive, o investimento foi grande, é assim que trabalho, seja onde for. Algumas das pessoa que aí conheci trouxeram-me ganhos importantes em termos pessoais e profissionais, isso é o mais importante.

A conversa que tive, a sós, com o Sr. Manuel Narra, presidente da Câmara Municipal da Vidigueira no seu gabinete, na manhã de 30 de Julho, dia em que cessei as minhas funções neste lugar, foi suficientemente elucidativa para perceber melhor tudo o que se passou. E fica guardada apenas entre duas pessoas. Os outros imaginem o que quiserem.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

E que tal "Um problema chamado RACISMO"?

Este meu post responde a um outro, que foi colocado no blogue ANTÃO VAZ (http://antaovazvidigueira.blogspot.com/) intitulado "Um problema chamado CIGANOS".


Primeiro urge clarificar o que aconteceu ontem na Vidigueira.


Os ciganos apareceram na Câmara Municipal da Vidigueira (CMV), com o intuito de falarem com o presidente desta, que não se encontrava no local. Ninguém o pôde substituir, nem sequer teve a dignidade de perguntar o que pretendiam.


Como ninguém os atendeu, como munícipes que são, sentiram-se indignados com a forma como estavam a (não) ser recebidos. Um episódio que já aconteceu outras vezes, mas até agora sem a expectável reacção por parte dos vidigueirenses ciganos. Desta vez aconteceu, não recuaram e ficaram a manifestar-se à porta da CMV.


Os responsáveis máximos não apareceram, por isso sobrou para quem deu a cara. Infelizmente. As ameaças, dispensáveis no entanto, foram dirigidas à única pessoa que estava no GAIME.


Manifestar, como fizeram os ciganos frente à CMV, o desagrado pelo modo como se sentem tratados pelos vários executivos e por uma parte da população da Vidigueira não tem nada de vergonhoso. Era só o que faltava. Quem não se sente não é filho de boa gente. Parece que ainda persistem hoje muitos tiques salazaristas que pretendem avisar as pessoas que não se devem manifestar, que vêm nomeadamente de pessoas colocadas em postos de poder executivo, que deviam trabalhar para todos os seus eleitores. Todos, sem excepção.


Depois, o que dizem ser o problema da água é apenas o pico do icebergue. Um exemplo em sentido contrário: há 3 meses que várias famílias ciganas pedem à câmara municipal da Vidigueira que o mato à volta das barracas onde vivem seja limpo, sobretudo por causa das cobras e de outros animais. Há 3 meses que o executivo está informado, mas a eficácia foi zero. Nada foi feito, sob a desculpa esfarrapada de que não há pessoas disponíveis para limpar esse mato. Mas também não há caixotes onde possam despejar o lixo. Para além de viverem em barracas há mais de uma década, têm que viver com esta rejeição continuada. Este é o motivo pelo qual os ciganos ontem se manifestaram em frente à CMV.

Não sabem ainda os ciganos que o homem responsável pela limpeza entregou no Gabinete de Apoio aos Imigrantes e Minorias Étnicas 6 enxadas, com o intuito de que os funcionários desse gabinete por sua vez as entregassem aos ciganos para que os próprios fizessem a limpeza que tinham solicitado à CMV.

Uma provocação que não sai cara a quem a faz porque os ciganos não têm nenhuma forma de organização supra-familiar, através da qual se protejam destas investidas e defendam os seus direitos.


Esta manifestação foi despoletada porque a situação latente está mal há muitos anos, décadas, séculos.

O senhor "Obama" - é assim que se pretende intitular o gestor do blogue ANTÃO VAZ, embora lhe falte o conhecimento, a perspicácia e a oralidade necessárias para alcançar o nível do actual presidente dos EUA - excede-se em vários pontos: em primeiro lugar o que é vergonhoso é que alguma Vidigueira branca, dominante, se sinta bem e viva confortável nas suas casas, década após década, enquanto assiste ao passar de várias gerações de vidigueirenses ciganos encurralados em matadouros e em barracas, condenando criaças e jovens que podiam ter condições para estudar e singrar na vida e nem sequer têm uma habitação digna, que seja decente.


A "intimidação" como lhe chama "Obama", eu chamar-lhe-ia indignação, é uma arma. A inércia dos serviços e as ameaças posteriores que fazem às pessoas que se manifestam, a começar pelos vários executivos, é outra arma, bem poderosa por sinal, pois permite estagnar vidas. E é o que tem feito com estas famílias. Fez-se e faz-se, de forma vergonhosa, pelo mundo com várias minorias. No período colonial fazia-se com os colonizados. Hoje ainda se pratica com os ciganos, esta atitude prepotente.


A água - e só uma pessoa bem desatenta como este "Obama" poderia não o perceber - é apenas um sinal da atitude infantil com que o executivo camarário lida com o problema. Será que os ciganos deviam ter direito a água? Respondem que sim, mas que a paguem. Certo, só que viver numa barraca não é exactamente o mesmo do que viver numa casa condigna. É do lírico esperar que se dê água a pessoas que vivem em barracas e elas se calem, ou melhor que não vivam indignadas com tudo o resto que vivem nos seus quotidianos.


Quando questiona o que chama de "gabinete de apoio aos ciganos", a asneira é ainda maior. Para além da tentativa de provocação gratuita e fútil, a acusação de "ineficácia" que o senhor "Obama nº2" faz aos técnicos do GAIME (sabe o nome ao menos?) é completamente disparatada e excessiva, se tiver em conta que o Gabinete existe desde Março e um dos elementos - eu, André Correia - apenas presta serviços 17horas e meia por semana. Mais lhe digo, o senhor "Obama" devia saber que desde Março o GAIME conseguiu um mediador cigano que vai trabalhar com a CMV a partir de Setembro. Foi publicitado no site e na revista da CMV.


É de uma perversão total, como o senhor Obama pretende, incriminar os ciganos quando eles na realidade são vítimas. Vender água a quem não tem tecto... isso sim devia envergonhar os autores da iniciativa.

Em inglês chama-se "blaming the victim", não conhece a expressão senhor "Obama"? Devia, pois na América dos anos 50, 60 e 70 era prática comum dos brancos WASP sobre os negros que tinham deixado a escravatura efectiva há poucos anos. Quando reclamavam os maus tratos de forma mais veemente eram acusados de desordem.


Era preciso que os executivos camarários mostrassem coragem na resolução deste problema, o que ainda nenhum fez. Para isso fazia falta uma pessoa que sentisse que se deve agir, em vez de ficar à espera de mais manifestações. Nenhum executivo sentiu, até agora, que importa resolver a situação em que vivem os portugueses ciganos, começando por exemplo por corrigir o erro histórico que coloca os ciganos em desvantagem em vários domínios - educação, emprego, etc - face aos não ciganos. Já se fez no Canadá, já se fez na Índia de Gandhi, fez-se o ano passado na Austrália. Esperamos o quê?


"Muita teoria e pouca prática". Esta não podia deixar escapar. Sabe certamente que uma complementa a outra. Acontece que, misteriosamente, em 2002 um processo de realojamento destas famílias ciganas, que tinha começado em 2001, ficou bloqueado na CMV, depois de se ter iniciado o acordo com o INH, actual IHRU. Pouca prática? Reflicta melhor sobre o assunto. E, claro, há muito mais coisas entre a teoria e a prática... uma delas chama-se processo histórico, que nos permite perceber que há grupos sociais que têm sido historicamente perseguidos, humilhados, executados... um deles é o dos ciganos, mas nós por cá gostamos de insistir no problema "judeu", embora os judeus tenham encontrado mecanismos eficazes de combater a discriminação, o que ainda não aconteceu, por motivos culturais mas também históricos, com os ciganos. Problema nosso, problema dos ciganos, porque parece que poucas pessoas estão interessadas em encontrar soluções para o que persiste.


Deve ser tratado por igual quem sempre foi sentido como igual, o que, como sabe muito bem o senhor "Obama", não foi nem é o caso dos ciganos, na Vidigueira, em Portugal e na Europa. Infelizmente para os ciganos, porque é que o senhor "Obama" havia de achar que a Vidigueira é uma excepção no âmbito da Europa?

Talvez devesse ler mais, informar-se mais, para depois opinar sobre o que não sabe quase nada.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Sapo quente















Talvez seja preciso morrerem mais crianças ciganas para nos questionarmos. O caso de Avis é tão só um exemplo do que é uma prática comum pelo país fora. Autarcas, autoridades policiais, governadores civis, políticos da administração central, todos têm conhecimento dos casos. Aliás todos temos conhecimento destes casos, os cientistas sociais não escapam. Basta ler blogues, jornais, telejornais, ir ao sítio da Segurança Social e ler os diagnósticos sociais e os consequentes planos de desenvolvimento social e planos de acção sucessivas vezes adiados.
Não deixa de ser chocante que a única ferramenta que emerge no horizonte de algumas assistentes sociais - mas atenção que todos os decisores acima destas assiststentes sociais devem ser responsabilizados por casos como o de Avis - seja retirar os filhos aos pais. Já a Dona Maria Teresa tinha sugerido e posto em prática esta medida, tal como aconteceu também na Hungria e outros países europeus há vários séculos atrás.
Em milhares de cafés espalhados pelo nosso país, como o "Meia Laranja" de Castro Verde na foto, entretemos-nos a pousar estrategicamente sapos verdes para, virando costas, fechar mais portas na cara dos ciganos para lhes dizermos, só aos ciganos, que não são bem-vindos aos lugares comuns.
Por vezes sapos como este podem matar.
E ninguém tem vergonha na cara.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Conference on Roma access to political participation - European Parliament - Brussels, 16 April 2009

This morning a conference on Roma access to political participation was held at the EP. Organised by the European Roma Information Office (ERIO) and hosted by MEP Jan Marinus Wiersma, this conference will seek to overcome the barriers that prevent Roma from from acess the decision-making process and to encourage European leaders to promote Roma political participation at European and national levels.

FOR THE FIRST TIME ROMANES WILL BE THE WORKING LANGUAGE IN A CONFERENCE AT THE EP

"In an ideal world, 24 of the 785 members of the European Parliament should come from the Roma community. However, this is very far from reality."

Check: http://erionet.org/site/basic100141.html

Conclusions soon...