quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Tiros aos lado
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Que fazer com as ofensas dirigidas por "uns" comentadores a "outros" comentadores?
O que "OBAMA" não sabe...
Confusões ideológicas...
quinta-feira, 23 de julho de 2009
E que tal "Um problema chamado RACISMO"?
Este meu post responde a um outro, que foi colocado no blogue ANTÃO VAZ (http://antaovazvidigueira.blogspot.com/) intitulado "Um problema chamado CIGANOS".
Primeiro urge clarificar o que aconteceu ontem na Vidigueira.
Os ciganos apareceram na Câmara Municipal da Vidigueira (CMV), com o intuito de falarem com o presidente desta, que não se encontrava no local. Ninguém o pôde substituir, nem sequer teve a dignidade de perguntar o que pretendiam.
Como ninguém os atendeu, como munícipes que são, sentiram-se indignados com a forma como estavam a (não) ser recebidos. Um episódio que já aconteceu outras vezes, mas até agora sem a expectável reacção por parte dos vidigueirenses ciganos. Desta vez aconteceu, não recuaram e ficaram a manifestar-se à porta da CMV.
Os responsáveis máximos não apareceram, por isso sobrou para quem deu a cara. Infelizmente. As ameaças, dispensáveis no entanto, foram dirigidas à única pessoa que estava no GAIME.
Manifestar, como fizeram os ciganos frente à CMV, o desagrado pelo modo como se sentem tratados pelos vários executivos e por uma parte da população da Vidigueira não tem nada de vergonhoso. Era só o que faltava. Quem não se sente não é filho de boa gente. Parece que ainda persistem hoje muitos tiques salazaristas que pretendem avisar as pessoas que não se devem manifestar, que vêm nomeadamente de pessoas colocadas em postos de poder executivo, que deviam trabalhar para todos os seus eleitores. Todos, sem excepção.
Depois, o que dizem ser o problema da água é apenas o pico do icebergue. Um exemplo em sentido contrário: há 3 meses que várias famílias ciganas pedem à câmara municipal da Vidigueira que o mato à volta das barracas onde vivem seja limpo, sobretudo por causa das cobras e de outros animais. Há 3 meses que o executivo está informado, mas a eficácia foi zero. Nada foi feito, sob a desculpa esfarrapada de que não há pessoas disponíveis para limpar esse mato. Mas também não há caixotes onde possam despejar o lixo. Para além de viverem em barracas há mais de uma década, têm que viver com esta rejeição continuada. Este é o motivo pelo qual os ciganos ontem se manifestaram em frente à CMV.
Não sabem ainda os ciganos que o homem responsável pela limpeza entregou no Gabinete de Apoio aos Imigrantes e Minorias Étnicas 6 enxadas, com o intuito de que os funcionários desse gabinete por sua vez as entregassem aos ciganos para que os próprios fizessem a limpeza que tinham solicitado à CMV.
Uma provocação que não sai cara a quem a faz porque os ciganos não têm nenhuma forma de organização supra-familiar, através da qual se protejam destas investidas e defendam os seus direitos.
Esta manifestação foi despoletada porque a situação latente está mal há muitos anos, décadas, séculos.
O senhor "Obama" - é assim que se pretende intitular o gestor do blogue ANTÃO VAZ, embora lhe falte o conhecimento, a perspicácia e a oralidade necessárias para alcançar o nível do actual presidente dos EUA - excede-se em vários pontos: em primeiro lugar o que é vergonhoso é que alguma Vidigueira branca, dominante, se sinta bem e viva confortável nas suas casas, década após década, enquanto assiste ao passar de várias gerações de vidigueirenses ciganos encurralados em matadouros e em barracas, condenando criaças e jovens que podiam ter condições para estudar e singrar na vida e nem sequer têm uma habitação digna, que seja decente.
A "intimidação" como lhe chama "Obama", eu chamar-lhe-ia indignação, é uma arma. A inércia dos serviços e as ameaças posteriores que fazem às pessoas que se manifestam, a começar pelos vários executivos, é outra arma, bem poderosa por sinal, pois permite estagnar vidas. E é o que tem feito com estas famílias. Fez-se e faz-se, de forma vergonhosa, pelo mundo com várias minorias. No período colonial fazia-se com os colonizados. Hoje ainda se pratica com os ciganos, esta atitude prepotente.
A água - e só uma pessoa bem desatenta como este "Obama" poderia não o perceber - é apenas um sinal da atitude infantil com que o executivo camarário lida com o problema. Será que os ciganos deviam ter direito a água? Respondem que sim, mas que a paguem. Certo, só que viver numa barraca não é exactamente o mesmo do que viver numa casa condigna. É do lírico esperar que se dê água a pessoas que vivem em barracas e elas se calem, ou melhor que não vivam indignadas com tudo o resto que vivem nos seus quotidianos.
Quando questiona o que chama de "gabinete de apoio aos ciganos", a asneira é ainda maior. Para além da tentativa de provocação gratuita e fútil, a acusação de "ineficácia" que o senhor "Obama nº2" faz aos técnicos do GAIME (sabe o nome ao menos?) é completamente disparatada e excessiva, se tiver em conta que o Gabinete existe desde Março e um dos elementos - eu, André Correia - apenas presta serviços 17horas e meia por semana. Mais lhe digo, o senhor "Obama" devia saber que desde Março o GAIME conseguiu um mediador cigano que vai trabalhar com a CMV a partir de Setembro. Foi publicitado no site e na revista da CMV.
É de uma perversão total, como o senhor Obama pretende, incriminar os ciganos quando eles na realidade são vítimas. Vender água a quem não tem tecto... isso sim devia envergonhar os autores da iniciativa.
Em inglês chama-se "blaming the victim", não conhece a expressão senhor "Obama"? Devia, pois na América dos anos 50, 60 e 70 era prática comum dos brancos WASP sobre os negros que tinham deixado a escravatura efectiva há poucos anos. Quando reclamavam os maus tratos de forma mais veemente eram acusados de desordem.
Era preciso que os executivos camarários mostrassem coragem na resolução deste problema, o que ainda nenhum fez. Para isso fazia falta uma pessoa que sentisse que se deve agir, em vez de ficar à espera de mais manifestações. Nenhum executivo sentiu, até agora, que importa resolver a situação em que vivem os portugueses ciganos, começando por exemplo por corrigir o erro histórico que coloca os ciganos em desvantagem em vários domínios - educação, emprego, etc - face aos não ciganos. Já se fez no Canadá, já se fez na Índia de Gandhi, fez-se o ano passado na Austrália. Esperamos o quê?
"Muita teoria e pouca prática". Esta não podia deixar escapar. Sabe certamente que uma complementa a outra. Acontece que, misteriosamente, em 2002 um processo de realojamento destas famílias ciganas, que tinha começado em 2001, ficou bloqueado na CMV, depois de se ter iniciado o acordo com o INH, actual IHRU. Pouca prática? Reflicta melhor sobre o assunto. E, claro, há muito mais coisas entre a teoria e a prática... uma delas chama-se processo histórico, que nos permite perceber que há grupos sociais que têm sido historicamente perseguidos, humilhados, executados... um deles é o dos ciganos, mas nós por cá gostamos de insistir no problema "judeu", embora os judeus tenham encontrado mecanismos eficazes de combater a discriminação, o que ainda não aconteceu, por motivos culturais mas também históricos, com os ciganos. Problema nosso, problema dos ciganos, porque parece que poucas pessoas estão interessadas em encontrar soluções para o que persiste.
Deve ser tratado por igual quem sempre foi sentido como igual, o que, como sabe muito bem o senhor "Obama", não foi nem é o caso dos ciganos, na Vidigueira, em Portugal e na Europa. Infelizmente para os ciganos, porque é que o senhor "Obama" havia de achar que a Vidigueira é uma excepção no âmbito da Europa?
Talvez devesse ler mais, informar-se mais, para depois opinar sobre o que não sabe quase nada.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Sapo quente
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Conference on Roma access to political participation - European Parliament - Brussels, 16 April 2009
"In an ideal world, 24 of the 785 members of the European Parliament should come from the Roma community. However, this is very far from reality."
Conclusions soon...
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Valerá uma imagem por mil palavras?
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Sobre o relatório das audições sobre portugueses ciganos
Hoje, dia 8 de Abril de 2009, é comemorado mais uma vez o dia internacional do cigano. Começou na cidade de Londres, em 1971. Decisão política. No passado dia 17 de Março, foi apresentado, na Assembleia da República, o relatório das audições sobre portugueses ciganos, ouvidos pela primeira vez no parlamento português. Enquanto cientista social eu fui ouvido nessas audições, mas não revejo nem o que disse nem muito do que ouvi dizer ao longo das várias sessões neste relatório. É certo que é um ponto de partida, como diria a minha cúmplice de blogue, e pode ser bem aproveitado, mas fica aquém do que imaginei inicialmente e quando fui ouvido. Poderá este relatório vir a ser o ponto de viragem para inverter o sentido da atenção política que (não) lhes tem vindo a ser dedicada? Entende-se, no relatório, que a deputada que dirigiu as audições, queira fazer tabula rasa dos estudos e de toda a informação que já existe (e existe!) para “apenas” ouvir o que as 60 pessoas auscultadas tiveram a dizer. Qual foi então o ponto, ou pontos, de partida? O zero, como se nada se soubesse até aqui. De que forma se sentirão os investigadores sociais, os que foram e os que não foram convidados a serem ouvidos, ex-mediadores e outros ciganos que dão os seus contributos há mais de 10 anos para que haja maior aproximação e compreensão das relações entre um e outro grupo étnico, quando no primeiro parágrafo do relatório se afirma que “verificamos hoje que sabemos pouco sobre esta comunidade de cidadãos, entretanto, portugueses.”? Será que não se fez nada que possa contribuir para que este desconhecimento não seja o que se diz que é neste relatório? Já agora, porque se introduzirá aqui o "entretanto"? Referir-se-á aos últimos 500 anos? E no meu caso, quais serão as minhas origens? Será que agora já sou português? Fará esta localização temporal algum sentido? A deputada Maria da Rosário Carneiro espera com este relatório sobre os Ciganos apenas “reunir informação que permita um conhecimento mais aprofundado acerca da sua identidade, da sua diversidade, das suas condições de vida”. Não estará já esta luta noutro patamar? Espera a deputada, ainda, que este relatório “habilite os decisores políticos com os elementos necessários à formulação de eventuais iniciativas legislativas e políticas promotoras da mais plena integração desta comunidade”. O que é um decisor político? Não serão um deputado ou uma deputada, decisores políticos ou, pelo menos, motores da decisão política? O que esperam? Acredito na iniciativa, mas os resultados são escassos, na altura em mais era preciso uma estratégia vinda de cima....