As imagens contam quando contam.
Por exemplo, quantos concelhos em Portugal têm ainda apenas ciganos a viver em barracas ou, mais grave, debaixo de tendas, oleados? Será que se vê? Vê. Há relatórios? Há. Até a administração central, Parlamento, os tem. As autarquias portuguesas também têm relatórios, diagnósticos levantados.
Enquanto antropólogo, desde 2006, acompanhei algumas famílias de portugueses ciganos, obrigadas a permanecerem nómadas. Através desse contacto, dei os casos a conhecer a autarquias, a assistentes sociais, nas audições da AR. Assim com indiquei casos nos quais vivem em barracas, há várias gerações, ilustrados com fotografias que eu próprio captei.
Essas famílias, essas pessoas continuam a viver exactamente nas mesmas situações: uns "nómadas à força", outras nas mesmas barracas.
No fim da notícia da Euronews aparece o seguinte:
«Segundo a Amnistia Internacional, na Eslováquia, os ciganos continuam a ser discriminados no acesso à educação, à habitação, à saúde e a vários outros serviços.»
E em Portugal, como será? Esta violência não existe - ou então não se vê? Uma rapariga cigana que conheci, dita"nómada", menor de idade, disse-me ter tido uma arma apontada à cara por um agente da autoridade policial - mas a discriminação, no acesso à habitação, educação, e aos serviços mais básicos que se possam imaginar, como num café ou mercado, é actual.
Quando será verdade que uma imagem vale por mil palavras?
Parabens pelo blog e pela coragem em comentar e querer pensar num assunto tão delicado para os portugueses não ciganos.
ResponderEliminarAcho que nos pode ajudar a reflectir sobre nós mesmos e assim de algum modo a mudar atitudes.
Vi a noticia da violência na Eslováquia e fiquei extremamente impressionada. É de facto um sinal alarmante do que se está a passar por todo o Mundo, incluindo na nossa rua ou cidade.
No que vejo em Portugal, penso que o problema está muitas vezes do lado dos não ciganos que teimam em não ver e compreender os factos da Historia e continuam a sentirem-se muito ameaçados... e isto da ameaça não é facil de gerir... nem dum lado nem de outro...
sugiro que referencies aqui alguns factos da Historia que nos poderão ajudar a repensar como chegamos a este ponto e até que ponto a responsabilidade não é partilhada.
Vou estar atenta.
gosto dos ciganos por aquilo que imagino da sua errância e dua sua incerteza, dos seus esquemas e da sua imprevisibilidade! nunca me cruzei muito com ciganos, mas tenho algumas histórias no meu passado que preciso revisitar e que talvez sejam até interessadas para espelhar aquilo que um gajó pensa desse mundo.
ResponderEliminaruma imagem vale com certeza muito. mas diria que para tratar este assunto são necessárias mil palavras. e mil conversas!